Hoje eu acordei e ao olhar-me no espelho tentei procurar traços da
mulher que tu dizes ver em mim, eu não entendo como consegues ver tantas
qualidades em mim, como consegues me amar.
Tu dizes que eu sou tudo com que sempre sonhaste, mas olha pra mim, não
me pareço em nada com aquela multidão de modelos elegantes que andam sempre
atrás de ti. Não tenho gingado no meu andar, eu ando seguindo o ritmo do meu
coração acelerado, meu cabelo grisalho está sempre fora do lugar. Não me
encaixo nos atuais padrões de beleza e nenhuma tendência de moda agrada-me, eu
sou assim.
Sou desleixada, minha voz não seduz e meu corpo não excita, meus olhos
mortos não chamam atenção, como podes me amar? Tu dizes que sou a mulher ideal,
perfeita para ti, mas olha pra mim! Nem pra mim sirvo. Sou apenas uma
menina-mulher que perdeu o brilho enquanto tentava alcançar o sonho de viver um
amor pleno, uma mulher que conformou-se com a simplicidade de viver em paz com
seu espírito ainda que isso implique estar sozinha. Não danço, não canto, não
sou apreciadora de arte, sou apenas uma mulher que lava a alma na chuva
tentando acalma-la. Agora olha pra mim e diz, como podes amar uma mulher assim?
Como podes me amar?
Autora: Bereznick Rafael
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